Sobre Carol...
"É preciso ter o caos dentro de si para dar origem a uma estrela bailarina."
Domingo, Março 18, 2012
Quarta-feira, Maio 18, 2011
Meu querido amigo.
Sabe que me parece absurdo pensar que já há 01 mês você se foi. A morte é ridícula. Morrer não devia acontecer conosco, não assim abreviando nossos planos e sonhos.
Talvez essa seja a chiste mais sacana da vida, como que para nos lembrar que o amanhã a Deus pertence e que não importa o quanto você se esforce ou planeje, as coisas fogem do nosso controle e do nosso rumo. Um autor americano dizia que se quiséssemos que Deus risse, bastaria mostrar nossos planos a Ele. Cada dia isso parece mais verdade.
Mas sabe que as vezes me parece tão injusto, tão incorreto isso da sua partida e eu fico pensando qual a razão, apenas para chegar a conclusão idiota que não existe razão, acontece apenas. Então, eu engulo e tento lembrar de todas as coisas ótimas do tempo que você pôde passar aqui, do como você foi corajoso, do quanto o tempo todo você lutou e burlando todas as expectativas conseguiu viver até aqui e realizar seus sonhos. Pensando nisso me dá um conforto tão bom, quantas pessoas vivem uma vida inteira sem um amor de verdade e você teve, quantas pessoas vivem fazendo algo que odeiam e você lutou até o fim para fazer aquilo que amava.
É verdade, que as vezes, uma farpa aparece, talvez saudade, talvez a constatação idiota que eu não posso mais te visitar ou de pelo menos saber que você está aqui. As vezes dói porque eu me pergunto o tempo todo se haveria mais alguma coisa que eu deveria ter feito. As vezes eu lembro de umas conversas bobas nossa, como quando andávamos e batia um vento bom.
Acho que no fim fica isso e se é verdade que estamos vivos até estarmos presentes na memória de alguém, farei o possível para que continue vivo por muito tempo. Amo você.
Sabe que me parece absurdo pensar que já há 01 mês você se foi. A morte é ridícula. Morrer não devia acontecer conosco, não assim abreviando nossos planos e sonhos.
Talvez essa seja a chiste mais sacana da vida, como que para nos lembrar que o amanhã a Deus pertence e que não importa o quanto você se esforce ou planeje, as coisas fogem do nosso controle e do nosso rumo. Um autor americano dizia que se quiséssemos que Deus risse, bastaria mostrar nossos planos a Ele. Cada dia isso parece mais verdade.
Mas sabe que as vezes me parece tão injusto, tão incorreto isso da sua partida e eu fico pensando qual a razão, apenas para chegar a conclusão idiota que não existe razão, acontece apenas. Então, eu engulo e tento lembrar de todas as coisas ótimas do tempo que você pôde passar aqui, do como você foi corajoso, do quanto o tempo todo você lutou e burlando todas as expectativas conseguiu viver até aqui e realizar seus sonhos. Pensando nisso me dá um conforto tão bom, quantas pessoas vivem uma vida inteira sem um amor de verdade e você teve, quantas pessoas vivem fazendo algo que odeiam e você lutou até o fim para fazer aquilo que amava.
É verdade, que as vezes, uma farpa aparece, talvez saudade, talvez a constatação idiota que eu não posso mais te visitar ou de pelo menos saber que você está aqui. As vezes dói porque eu me pergunto o tempo todo se haveria mais alguma coisa que eu deveria ter feito. As vezes eu lembro de umas conversas bobas nossa, como quando andávamos e batia um vento bom.
Acho que no fim fica isso e se é verdade que estamos vivos até estarmos presentes na memória de alguém, farei o possível para que continue vivo por muito tempo. Amo você.
Segunda-feira, Março 28, 2011
Sabe que o dia de hoje poderia ter sido completamente diferente se eu não visse aquela reportagem. Foi assim: uma moça se jogou de um prédio. Mas não era só isso. Ela se jogara meses depois que seu amante fizera o mesmo. E aqui uso amante no sentido da pessoa a qual se deposita afeto e não outro sentido vulgar e qualquer.
E por mais que o a história do Romeu e Julieta tenha no mínimo 100 anos, aparentemente nós, seres humanos, conseguimos ser incrivelmente repetitivos. Mas o que me doía era que ao ler isso eu lembrei das inúmeras vezes que você dizia que morreria por mim e das vezes que eu respondia que não fazia sentido morrer por mim, então que vivesse por mim.Talvez meu jeito egocêntrico tenha tornado as coisas absurdas. Porque morrer por alguém é infinitamente mais fácil que viver por uma pessoa. Além de ser infinitamente mais poético. Doeu um pouco porque eu lembrei daquela frase eu amo: quem não tem coragem de se matar de uma vez, faz aos poucos. E eu pensei nas muitas vezes que eu tenho me matado desde então. Como se me ferindo repetidamente de maneiras diversas fizesse parar de doer.
Um dia desses eu lembrei de uma das nossas primeiras conversas em que eu dizia que não gostaria de te afastar das coisas que você achava certo. E eu não afastei. E como se fosse um quebra-cabeças eu também me recordei de uma amiga que dizia: Admiro tanto sua postura de ter se mantido firme naquilo que você acreditava e de não ter se transformado em outra pessoa. E sabe que foi isso que você também fez. Foi o que ambos fizemos. Nos mantivemos fieis aquilo que acreditávamos certo, aquilo que nos foi passado como correto, como padrões aprendidos. E sabe que pela primeira vez pensar nisso não doeu, porque de repente eu percebi que era isso que eu sempre soube e esperei de você. Alguém que possuísse suas próprias opiniões, que não fosse subjugado por outros e que se mantivesse fiel. Obrigado por ter feito aquilo que achava certo. Eu também fiz. E foi assim, que de alguma forma, nós dois pulamos para salvar um ao outro. Só esquecemos de notar, que estávamos em janelas diferentes.
"Did I disappoint you or let you down?
Should I be feeling guilty or let the judges frown?
'Cause I saw the end before we'd begun,
Yes I saw you were blinded and I knew I had won.
So I took what's mine by eternal right.
Took your soul out into the night.
and may be over but it won't stop there,
I am here for you if you'd only care.
touched my heart you touched my soul.
(...)
Goodbye my lover.
Goodbye my friend.
You have been the one.
You have been the one for me."
E por mais que o a história do Romeu e Julieta tenha no mínimo 100 anos, aparentemente nós, seres humanos, conseguimos ser incrivelmente repetitivos. Mas o que me doía era que ao ler isso eu lembrei das inúmeras vezes que você dizia que morreria por mim e das vezes que eu respondia que não fazia sentido morrer por mim, então que vivesse por mim.Talvez meu jeito egocêntrico tenha tornado as coisas absurdas. Porque morrer por alguém é infinitamente mais fácil que viver por uma pessoa. Além de ser infinitamente mais poético. Doeu um pouco porque eu lembrei daquela frase eu amo: quem não tem coragem de se matar de uma vez, faz aos poucos. E eu pensei nas muitas vezes que eu tenho me matado desde então. Como se me ferindo repetidamente de maneiras diversas fizesse parar de doer.
Um dia desses eu lembrei de uma das nossas primeiras conversas em que eu dizia que não gostaria de te afastar das coisas que você achava certo. E eu não afastei. E como se fosse um quebra-cabeças eu também me recordei de uma amiga que dizia: Admiro tanto sua postura de ter se mantido firme naquilo que você acreditava e de não ter se transformado em outra pessoa. E sabe que foi isso que você também fez. Foi o que ambos fizemos. Nos mantivemos fieis aquilo que acreditávamos certo, aquilo que nos foi passado como correto, como padrões aprendidos. E sabe que pela primeira vez pensar nisso não doeu, porque de repente eu percebi que era isso que eu sempre soube e esperei de você. Alguém que possuísse suas próprias opiniões, que não fosse subjugado por outros e que se mantivesse fiel. Obrigado por ter feito aquilo que achava certo. Eu também fiz. E foi assim, que de alguma forma, nós dois pulamos para salvar um ao outro. Só esquecemos de notar, que estávamos em janelas diferentes.
"Did I disappoint you or let you down?
Should I be feeling guilty or let the judges frown?
'Cause I saw the end before we'd begun,
Yes I saw you were blinded and I knew I had won.
So I took what's mine by eternal right.
Took your soul out into the night.
and may be over but it won't stop there,
I am here for you if you'd only care.
touched my heart you touched my soul.
(...)
Goodbye my lover.
Goodbye my friend.
You have been the one.
You have been the one for me."
Sábado, Fevereiro 26, 2011
Sobre dar aos mãos.
"Estamos é com carência de passear de mãos dadas, dar e receber carinho sem necessariamente ter que depois mostrar performances dignas de um atleta olímpico, fazer um jantar pra quem você gosta e depois saber que vão "apenas" dormir abraçados, sabe, essas coisas simples que perdemos nessa marcha de uma evolução cega." Arnaldo Jabbur
Ontem, depois de um bom tempo, fui a uma festa. E sabe que eu fiquei um bom tempo observando as pessoas e os casais. Eu tenho essa mania besta de prestar atenção a situações que passariam livremente. Mas eu, com essa mania estranha, acabo captando momentos alheios e os guardando de algum modo, como se eu andasse com uma máquina fotográfica em mãos para registrar os momentos bonitos ou pelo menos diferentes. Foi assim que eu vi um casal se reconciliar um dia desses num restaurante, ou um outro casal em crise sem tanto sucesso. E ultimamente tenho reparado que as pessoas não se dão mais as mãos. Como se num medo secreto de declarar ao mundo que se tem alguém ao lado. Um único alguém. Como se isso pudesse espantar os outros alguens ou como se fosse demais carregar o peso de assumir um afeto. Um dia desses, vi um casal em um restaurante, sentado lá na última cadeira, quase sem ninguém notar; e entre conversas e beijos eles não se deram as mãos. Em momento nenhum. Ontem, dos vários casais que eu vi, ninguém se dava as mãos, as pessoas só faziam isso, quando andavam no meio da multidão e com medo de se perderem seguravam um ao outro -o que é bem diferente de dar aos mãos.
E sabe que por um tempo eu pensei, será que eu envelheci rápido ou será que cada vez mais as coisas vão perdendo o valor? O fato é que numa sociedade em que tudo é descartável e pra ontem, onde os vínculos são frouxos e o ser humano cada vez mais sem valor, pessoas são assassinadas por nada, cada vez mais a descrença em tudo aumenta.
Ninguém se lembra de todo aquele processo de estar junto em que pouco a pouco se tocavam. Como naqueles filmes em que os mocinhos vão ao cinema e receosos tocam a mão da mocinha, se ela deixasse era um bom indício. Nada como o gesto quase secreto de dar as mãos e fazer pequenos e sutis carinhos com os dedos em outra mão, algo normalmente não notado por outras pessoas, mas com certeza sentido por aqueles dois.
Veja bem, pode parecer até um tanto idiota isso. Ainda bem que estamos em uma era diferente, mas o fato de nos tornarmos modernos e independentes não significa que devemos abandonar algumas coisas a moda antiga completamente encantadoras.
Dar as mãos é lindo. Experimente.
Ontem, depois de um bom tempo, fui a uma festa. E sabe que eu fiquei um bom tempo observando as pessoas e os casais. Eu tenho essa mania besta de prestar atenção a situações que passariam livremente. Mas eu, com essa mania estranha, acabo captando momentos alheios e os guardando de algum modo, como se eu andasse com uma máquina fotográfica em mãos para registrar os momentos bonitos ou pelo menos diferentes. Foi assim que eu vi um casal se reconciliar um dia desses num restaurante, ou um outro casal em crise sem tanto sucesso. E ultimamente tenho reparado que as pessoas não se dão mais as mãos. Como se num medo secreto de declarar ao mundo que se tem alguém ao lado. Um único alguém. Como se isso pudesse espantar os outros alguens ou como se fosse demais carregar o peso de assumir um afeto. Um dia desses, vi um casal em um restaurante, sentado lá na última cadeira, quase sem ninguém notar; e entre conversas e beijos eles não se deram as mãos. Em momento nenhum. Ontem, dos vários casais que eu vi, ninguém se dava as mãos, as pessoas só faziam isso, quando andavam no meio da multidão e com medo de se perderem seguravam um ao outro -o que é bem diferente de dar aos mãos.
E sabe que por um tempo eu pensei, será que eu envelheci rápido ou será que cada vez mais as coisas vão perdendo o valor? O fato é que numa sociedade em que tudo é descartável e pra ontem, onde os vínculos são frouxos e o ser humano cada vez mais sem valor, pessoas são assassinadas por nada, cada vez mais a descrença em tudo aumenta.
Ninguém se lembra de todo aquele processo de estar junto em que pouco a pouco se tocavam. Como naqueles filmes em que os mocinhos vão ao cinema e receosos tocam a mão da mocinha, se ela deixasse era um bom indício. Nada como o gesto quase secreto de dar as mãos e fazer pequenos e sutis carinhos com os dedos em outra mão, algo normalmente não notado por outras pessoas, mas com certeza sentido por aqueles dois.
Veja bem, pode parecer até um tanto idiota isso. Ainda bem que estamos em uma era diferente, mas o fato de nos tornarmos modernos e independentes não significa que devemos abandonar algumas coisas a moda antiga completamente encantadoras.
Dar as mãos é lindo. Experimente.
Segunda-feira, Fevereiro 14, 2011
Toy Story IV
Que agora, antes de mais nada era hora de admitir amargamente que a criança enjoara do brinquedo. Como já havia feito com outros brinquedos antes. Era uma espécie diferente de brinquedo e portanto, acreditava que seria diferente dos outros. Mas se existe uma verdade na vida é que comigo não vai ser diferente.
O brinquedo lembrava dos seus dias felizes, dos seus dias de brincadeiras alegres e felicidade plena. Dos dias que tinha certeza que nenhum brinquedo fora tanto amado em sua vida e que seu dono jamais se interessaria por outro brinquedo, afinal o amor que lhe era depositado era tamanho que não havia sequer sombra de dúvida.
E o engraçado é que de tanto ter certeza não foi percebendo quando pouco a pouco iam se perdendo. Quando não mais que de repente, o dono se zangava à toa ou quando ele persistia no escuro, quando não era retirado da caixa. Nesses dias, fazia um exercício, lembrava dos dias bons e então, aquela angústia passava e assim, pensava otimistamente que esses dias de sombra passariam.
Até o dia, que o dono resolveu tirar o brinquedo não apenas da prateleira, mas também do quarto e da vida. E foi assim que como todos os brinquedos de antes, ele foi jogado num saco preto e escuro. E por um tempo, o brinquedo chorava, se escondia e voltava para o quarto, para novamente o dono retirá-lo. E entre tantas longas caminhadas e incertezas e lágrimas, o brinquedo se encolheu tanto que foi perdendo o brilho. E de tudo que ele era só sobrou a dúvida se alguma coisa que ele havia vivido fora real em algum momento. Pois admitir que estava exatamente no mesmo lugar que os outros brinquedos de antes, era admitir que o dono não fora totalmente honesto ao dizer que esse amor era único e diferente. E por muito tempo, esse brinquedo andou num deserto sozinho, em busca de uma verdade que justificasse o ocorrido; porque por um instante esse brinquedo acreditou de novo, acreditou que com ele poderia ser diferente, que com ele era honesto. E cada vez que procurava uma verdade se afastava mais e mais, se machucando a cada momento com uma verdade diferente. E depois de muito se machucar, pensando em como deveria admitir que fora tudo uma ilusão, preferiu pensar que por um tempo fora verdade e que o fato de agora não mais o ser, não anulava os momentos que foram reais. Foi assim que ele pensou, foi assim que ele começou a sair do deserto: o jeito mais cômodo e também o mais otimista para um final feliz.
O brinquedo lembrava dos seus dias felizes, dos seus dias de brincadeiras alegres e felicidade plena. Dos dias que tinha certeza que nenhum brinquedo fora tanto amado em sua vida e que seu dono jamais se interessaria por outro brinquedo, afinal o amor que lhe era depositado era tamanho que não havia sequer sombra de dúvida.
E o engraçado é que de tanto ter certeza não foi percebendo quando pouco a pouco iam se perdendo. Quando não mais que de repente, o dono se zangava à toa ou quando ele persistia no escuro, quando não era retirado da caixa. Nesses dias, fazia um exercício, lembrava dos dias bons e então, aquela angústia passava e assim, pensava otimistamente que esses dias de sombra passariam.
Até o dia, que o dono resolveu tirar o brinquedo não apenas da prateleira, mas também do quarto e da vida. E foi assim que como todos os brinquedos de antes, ele foi jogado num saco preto e escuro. E por um tempo, o brinquedo chorava, se escondia e voltava para o quarto, para novamente o dono retirá-lo. E entre tantas longas caminhadas e incertezas e lágrimas, o brinquedo se encolheu tanto que foi perdendo o brilho. E de tudo que ele era só sobrou a dúvida se alguma coisa que ele havia vivido fora real em algum momento. Pois admitir que estava exatamente no mesmo lugar que os outros brinquedos de antes, era admitir que o dono não fora totalmente honesto ao dizer que esse amor era único e diferente. E por muito tempo, esse brinquedo andou num deserto sozinho, em busca de uma verdade que justificasse o ocorrido; porque por um instante esse brinquedo acreditou de novo, acreditou que com ele poderia ser diferente, que com ele era honesto. E cada vez que procurava uma verdade se afastava mais e mais, se machucando a cada momento com uma verdade diferente. E depois de muito se machucar, pensando em como deveria admitir que fora tudo uma ilusão, preferiu pensar que por um tempo fora verdade e que o fato de agora não mais o ser, não anulava os momentos que foram reais. Foi assim que ele pensou, foi assim que ele começou a sair do deserto: o jeito mais cômodo e também o mais otimista para um final feliz.
Domingo, Fevereiro 06, 2011
O pó.
Melhor escapar deixando uma lembrança qualquer, lenço esquecido numa gaveta, camisa jogada na cadeira, uma fotografia - qualquer coisa que depois de muito tempo a gente possa olhar e sorrir, mesmo sem saber por quê Caio Fernando Abreu.
Sabe que por muito tempo eu só pensava assim: Não pode virar pó, virar nada, como se fosse um mantra, como se ao falar isso eu magicamente impedisse que as coisas se perdessem. Mas num dia inesperada tive uma notícia de morte e eu pensei em com irremediável era que tudo virasse pó e nada e que no fim, essa luta já perdida minha, era uma luta constante para que nós não morrêssemos, era fugir da minha finitude enquanto ser humano mortal. Não queria que você morresse, não queria que eu morresse, não queria que nós morrêssemos. E talvez por isso eu tentasse insistentemente trazer todas as memórias a tona e esperava que você fizesse o mesmo, porque enquanto existirmos na memória de alguém ainda estaremos vivos e no fundo, eu só queria ser imortal. Eu só queria que não se apagasse, que não andasse para o inevitável. Eu vou morrer, talvez não hoje nem amanhã, mas eu vou morrer e você também. E em algum momento as pessoas que nos cercam também vão morrer e ai tudo que a gente foi vai virar pó, virar nada. E não existe absolutamente nada que possamos fazer quanto isso. E de repente toda essa minha tentativa de me manter viva em você e te manter vivo em mim apareceu com exaustiva e improdutiva, porque não importa o quanto eu tente ou o quanto outra pessoa tente, todos nós invariavelmente - e isso talvez seja a coisa mais democrática da vida – iremos virar pó.
Sabe que por muito tempo eu só pensava assim: Não pode virar pó, virar nada, como se fosse um mantra, como se ao falar isso eu magicamente impedisse que as coisas se perdessem. Mas num dia inesperada tive uma notícia de morte e eu pensei em com irremediável era que tudo virasse pó e nada e que no fim, essa luta já perdida minha, era uma luta constante para que nós não morrêssemos, era fugir da minha finitude enquanto ser humano mortal. Não queria que você morresse, não queria que eu morresse, não queria que nós morrêssemos. E talvez por isso eu tentasse insistentemente trazer todas as memórias a tona e esperava que você fizesse o mesmo, porque enquanto existirmos na memória de alguém ainda estaremos vivos e no fundo, eu só queria ser imortal. Eu só queria que não se apagasse, que não andasse para o inevitável. Eu vou morrer, talvez não hoje nem amanhã, mas eu vou morrer e você também. E em algum momento as pessoas que nos cercam também vão morrer e ai tudo que a gente foi vai virar pó, virar nada. E não existe absolutamente nada que possamos fazer quanto isso. E de repente toda essa minha tentativa de me manter viva em você e te manter vivo em mim apareceu com exaustiva e improdutiva, porque não importa o quanto eu tente ou o quanto outra pessoa tente, todos nós invariavelmente - e isso talvez seja a coisa mais democrática da vida – iremos virar pó.
Sexta-feira, Janeiro 21, 2011
Los ojos.

Ele sempre disse que a amava pelo mistério. Havia algo nela que não tinha sido completamente decifrado. Algo que por mais que ele tentasse descobrir não conseguia. Ela sempre ria quando ouvia isso, porque de todos os adjetivos que existiam na língua portuguesa, ela jamais se definiria como misteriosa.
Ele sempre a olhava como se tentasse decifrar algo. E assim viviam. Embora a verdade é que o peso desse mistério - que ela não sabia o que era- sempre pairava, pois no fundo sempre soube que assim que o mistério acabasse o encanto seria desfeito. E andou na corda bamba por tempo suficiente para se acostumar com o perigo de a qualquer momento acabar a magia. E foi ela. Foi ela quem pôs fim às coisas ao falar tudo, a mostrar todos os lados os lados do seu mundo. Queria que ele conhecesse, queria que ele fizesse parte. Mal sabia que ao fazer isso declarava a sentença do fim, pois havia se acostumado ao perigo.... mas no caso dela, não se era amada pelas coisas que se conhece, ao contrário.
Sabe que ela nunca foi de acreditar em fábulas, ou contos e encantos. Mas ali, ela acreditava. Acreditava verdadeiramente na magia que estava inserida, na beleza das coisas que sentia e que sentia que sentiam por ela e foi assim que ela começou a fechar os olhos, sem saber que todo o seu mistério eram os olhos. Ela precisava fechar os olhos para sentir, e como ela sentia! Mas a cada vez que fechava os olhos, se entregava um pouco mais e mais e mais até o ponto que já não havia mais nada que era dela, nem mesmo o mistério. Ela se apaixonou por sentir alguém tão inteiramente seu e por poder se doar, assim acreditou erroneamente que o contrário também poderia ser verdade, sem se lembrar da primeira coisa que lhe fora dito, como um alerta quando ela ainda era capaz de ouvir as coisas: existe em você um mistério que me atrai. Talvez ele precisasse dos calabouços, dos mistérios. Ela gostava dos mergulhos profundos, mas da certeza que se tem alguém verdadeiramente. E tudo acabou como num dia infinito, quando ela se declarou totalmente dele e assim, as coisas foram se perdendo pouco a pouco, porque o fatídico mistério dela era que ela era capaz de amar.
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