Terça-feira, Novembro 03, 2009

Laços*


E talvez realmente exista um elo diferente que una os amigos de muito tempo. Como se fossem parte da família, com uma diferença sutil por ter sido uma escolha.
Deve realmente existir algo como um fio invisível e eu andei pensando seriamente sobre o que seria esse fio.
Talvez sejam as lembranças atreladas... porque quando você começa a pensar no seu passado ali estão eles ou quando você pensa "Como cheguei até aqui?" lá estão eles novamente. Talvez porque precisamos o tempo inteiro relembrar de quem somos ou de quem éramos e tê-los é a forma mais fidedigna de obter essas respostas. Ou ainda, porque mesmo apesar de todas as mudanças da infância até a vida adulta, essa amizade sobreviva, por mais que antes você fosse gordinha do cabelo rebelde e até agressiva e agora você começa a ter uma postura séria, detesta as calorias e amançou o cabelo quase que na mesma proporção da agressividade. E você precisa saber que parte daquela criança você mantem e qual parte você deve manter.
Mas talvez também seja pelas lágrimas e risos divididas. Porque existe uma porção de coisas que ninguém nunca vai entender, com a exceção de você e essas pessoas. Porque vocês tinham um universo paralelo, porque passaram por tanta coisa e continuam juntos. Porque quando você desmoronava eram essas as pessoas que juntavam seus cacos, ou quando você explodia de felicidade eram elas que compartilhavam. E por mais que tenham tomado caminhos diferentes, cidades diferentes, profissões diferentes e até escolhas de vidas diferentes, algo mantém conectado. Há quem diga que não precisamos mudar de amigos se simplesmente compreendermos que os amigos mudam, taí uma verdade, mas naõ acredito que suficiente para explicar o que seria esse fio.
Dizem que ficamos vivos enquanto vivermos na memória de alguém, talvez a vontade de ser imortal, de nos demorarmos na memória de alguém que nos conheceu tão bem como nós mesmos.
Talvez por pura insistência, porque queremos nos agarrar a algo do passado, porque queremos um algodão cor de rosa com gosto de infância quando a vida parecer amarga e dura em demasia.
Talvez a cumplicidade dos tempos antigos, talvez coisas de uma vida passada, talvez a mão do destino, talvez insistência ou excesso de nostalgia... Mas eu prefiro acreditar que quem sabe não seria tudo isso e mais uma série de coisas que não sabemos explicar. Porque levante a mão quem nunca sentiu um aperto no peito ouvindo Canção da América? Ou que pensou que um afastamento invevitável era eminente quando os caminhos se tornaram completamente diferentes... mas então você percebe que praticamente nada poderia desfazer esse laço, então você descobre o que quer dizer "mesmo que o tempo e a distância digam não"; porque a despeito disso o sentimento pode até se transformar, mas não desaparece



"Te tenho com a certeza de que você pode ir
Te amo com a certeza de que irá voltar pra gente ser feliz
Você surgiu e juntos conseguimos ir mais longe
Você dividiu comigo a sua história e me ajudou a construir minha"


PS.: Esse não é um texto de respostas e para o leitor pode parecer inacabado, ou sem fim. Mas como eu poderia escrever um texto sobre as amizades de infância com um ponto final?

*Para Mari e Mamá.

Quarta-feira, Outubro 14, 2009

Dia

Era mais um daqueles dias (a)típicos (?). Ela acordou mal-humorada e mentalmente ensaiou o que viria adiante:
Estaria numa sala, chamaria por um nome, a pessoa iria até ela e ela abriria um sorriso e diria:
- Bom dia! Tudo bem?
A pessoa responderia num sorriso tímido:
- Bom dia, tudo e a senhora?
Escrevendo agora, é engraçado pensar que um número considerável de pessoas que a chamavam de senhora eram na verdade mais velhas que ela, mas ela não pensou nisso naquele momento.
Enquanto ela trancava o carro ela pensava:
Maravilha, vou tirar forças de não sei onde. E um viva a hipocrisia! Eu não estou bem, mas ninguém realmente quer saber disso, até porque nesse momento são as pessoas que me procuram em busca de ajuda e não o contrário, sendo assim, mais uma vez iremos afastar nossas necessidades para ir até as necessidades do outro.Maravilha. E outra, quem começou com essa história de que: Como você sumiu?! Sumiço é uma coisa recíproca, eu continuo no mesmo lugar de sempre, agora se eu não procuro e não me procuram a culpa é minha? E pra piorar esse calor infernal.
Chegou no quarto andar.
Alguma ficha pra mim?
Sim, essas aqui.
Dona ****.
Oi, tudo bem, irei te atender hoje.
E a mulher ria. Sabe um desses sorrisos verdadeiros e largos, como das crianças. Por um tempo,ela com todo o esnobismo até pensou: Será que essa senhora não tem algum tipo de retardo? Não, não tinha, ela só estava feliz.
E de um jeito estranho, talvez da mesma forma contagiante das crianças, ela ficou feliz; como se as várias gargalhadas dadas por aquela mulher de alguma forma impregnassem nela até que o mal-humor que lhe agarrara até ali desaparecesse.
Mas ocorre que depois de um tempo aquela senhora sorridente confessa que aos 13 anos sofreu vítima de abuso sexual. Não, ela não ria de tudo por desespero. Ela era uma daquelas poucas pessoas que sabiam rir. Simplesmente.

Fim

(Eu não gosto de textos com lições de moral, ou conclusões ou qualquer coisa assim. Então querido leitor, você pode simplesmente parar de ler agora; afinal o texto já acabou ou pode gastar seu tempo lendo essas linhas aqui embaixo um tanto quanto óbvias.)

Conclusão número 1:Ninguém é responsável pela sua felicidade, além de você.
Já dizia o Sartre: Não importa o que fizeram com você, mas o que você fez com o que fizeram.

Conclusão número 2: A grama do vizinho é sempre mais verde: Se todos jogássemos nossos problemas em uma pilha e víssemos os de todo mundo, pegaríamos os nossos de volta.

Segunda-feira, Agosto 31, 2009


And in the silence, it became so very clear that you have long ago desapear.


Prefácio:

Tudo que quer me dar é demais, é pesado... não há paz...
Tudo que quer de mim irreais, expectativas desleais...


Capítulo único

Meu querido.
Já era tempo. Mas finalmente consegui. Como dizia o Caio "sou forte o suficiente para sair de determinadas circunstâncias, embora tenha sido fraco o suficiente para entrar nelas" ou qualquer coisa mais ou menos assim. Mas queria te dizer isso, nosso tempo chegou ao fim, eu sempre quis colocar um fim e quando finalmente estávamos bem, consegui te afastar. Não que eu só goste das coisas quando elas vão mal, mas veja bem... já era hora de dar um fim e isso aconteceu agora. Talvez você até me ache injusta dizendo isso, mas é uma questão básica: descubri que você não me fazia bem. Parece bobagem, mas eu me pergunto quanto tempo eu fiquei sem conseguir responder essa pergunta tão óbvia... e hoje eu percebo que se eu não sabia a resposta ao certo é pelo fato da resposta ser negativa. Talvez tenha nos faltado sintonia, sempre pensei nisso. Eu estava absorta em demasia quando você se destraia e eu desviava quando você se concentrava, nunca olhamos para o mesmo lado ao mesmo tempo: tínhamos o rádio as estações,mas éramos incapazes de sintonizar, só havia ruído... algumas vezes chegamos bem perto disso, mas bem perto não é suficiente e quando estávamos bem próximos o suficiente de acertar uma estação eu percebi sons ao meu redor, como se por todo esse tempo eu só pudesse ouvir uma mesma nota e subitamente eu passasse a ouvir uma orquestra. A vida tem essa mania de nos surpreender e talvez seja esse o grande barato, talvez seja uma ironia, uma brincadeira ou sei-lá-o-que... Pode ser ainda, que seu fantasma se tenha simplesmente ido... a verdade é que amamos um no outro só aquilo que queríamos ver:
"Sabe, eu me perguntava até que ponto você era aquilo que eu via em você ou apenas aquilo que eu queria ver em você, eu queria saber até que ponto você não era apenas uma projeção daquilo que eu sentia, e se era assim, até quando eu conseguiria ver em você todas essas coisas que me fascinavam e que no fundo, sempre no fundo, talvez nem fossem suas, mas minhas, e pensava que amar era só conseguir ver, e desamar era não mais conseguir ver, entende? Dolorido-colorido, estou repetindo devagar para que você possa compreende"
E então eu deixei de ver... magicamente. Tão magicamente como comecei a ver o mundo, como se fosse míope e então, repentinamente eu pudesse ver os pequenos detalhes... não, melhor que isso, como seu eu fosse daltônica e finalmente eu pudesse ver as cores...! E contrariando todas as expectativas coloquei um fim na música antiga:

"Carolina, nos seus olhos fundos guarda tanta dor, a dor de todo esse mundo
Eu já lhe expliquei, que não vai dar, seu pranto não vai nada ajudar
Eu já convidei para dançar, é hora, já sei, de aproveitar

Lá fora, amor, uma rosa nasceu, todo mundo sambou, uma estrela caiu
Eu bem que mostrei sorrindo, pela janela, ah que lindo
Mas Carolina não viu..."


E desde que comecei a ver em cores, não consegui mais tentar sintonizar as estações e meus ouvidos não estavam mais afinados para ouvir os seus chamados... a vida em cores que se ergueu diante dos meus olhos me impedia de querer ver em preto e branco de novo.
"Porque você não pode voltar atrás no que vê. Você pode se recusar a ver, o tempo que quiser: até o fim da sua maldita vida, você pode recusar, sem necessidade de rever seus mitos ou movimentar-se de seu lugarzinho confortável. Mas a partir do momento em que você vê, mesmo involuntariamente, está perdido: as coisas não voltarão a ser mais as mesmas e você próprio não será o mesmo. O que vem depois, não se sabe".





Epílogo
Plagiando a Fernanda Young: Como já dizia o Lulu, não te quero mal, apenas não te quero mais.

Sexta-feira, Julho 31, 2009

A Síndrome de Sansão


Atire a primeira pedra a mulher que nunca quis estrangular a cabeleireira quando disse "só as pontinhas" e saiu do salão com um palmo a menos de cabelo. Eu não sei você, mas eu pelo menos conheço um número considerável de mulheres que queria o cabelo curto, mas nunca tiveram coragem de cortar ou pensaram pelo menos 280 vezes antes de fazer. No fundo, no fundo, pelo menos 90% da população feminina acredita (ainda que inconscientemente) que o seu poder está no cabelo, por isso o medo -ou seria pânico?- de cortá-lo.
Por algum motivo, deve estar em nosso DNA -assim como perder 3 kg- essa coisa com o cabelo. Talvez por isso o salão de beleza seja quase um santuário do universo feminino e quando sentimos mal a quem recorremos?! Isso mesmo! Quiçá por ser a moldura do rosto, o cabelo seja tão valorizado. E pra quem quiser, existe escova de chocolate, de vinho, de queratina, progressiva, definitiva, inteligente, marroquina, japonesa... é quase um jantar da ONU!
Tinturas então... é vermelho cherry, chocolates vibrantes, tabaco ultra-claro -e se existe uma coisa engraçada isso é nome de tinta de cabelo, perdendo apenas para nome de esmalte: obsessão, volúpia, drops... Afinal de contas, quem será que inventa isso?!-. Podemos lembrar ainda de uma série de lendas envolvendo esse nobre personagem: Há quem diga que um número considerável de feromônios é liberado pelo couro cabeludo e quem nunca ouviu um "meu cabelo era anelado, mas cortaram os cachos e ele ficou liso" ou "meu cabelo era bom, mas eu cortei muito e ele encrespou"; acho que dava até tese de mestrado ou qualquer coisa do nipe "Como os cortes capilares alteram o genótipo do indivíduo" ou "Fenótipo: a interação entre seu gene e a tesoura". Verdade ou mito não sei, mas posso afirmar que Sansão devia conhecer mais do universo feminino que qualquer outro mortal do sexo oposto.

Segunda-feira, Julho 13, 2009

Viva a segunda-feira- Diário de bordo

- Esse sorvete parece de amendoim.
- Deixa eu ver.... Não, não tem gosto não!
- Ah! Mas também não tem gosto de Chokito!
- Mas então, era isso que eu tava falando: as pessoas gostam de maneiras diferentes. Mais que isso cada um gosta de sua maneira e quer que a outra pessoa demonstre do jeito que se quer. Eu por exemplo não gosto de ter que dizer que gosto a cada 5 segundos, exigir isso de mim é desgastante.
- Ah! Eu gosto, eu exijo. Acho que depois de um bom tempo de relacionamento não tem motivo de joguinhos, nem esconder o que se sente.
- Hum... não acho que seja essa a questão. Para mim, demonstrar que gosta é falar da sua vida, dividir o cotidiano, para mim isso é suficiente; afinal existe prova maior que se gosta de alguém do que querer dividir com essa pessoa parte da sua vida?
- Daria um bom texto isso.
(...)
-Moça, eu quero um número fácil, tipo aqueles telefones que a gente liga pra pedir sanduíche!
(...)
-Gente, ela sabe a letra de todas as músicas!!
- Ah! Eu também!!
- Ah! Mas aposto que a da Angélica você não sabe, só eu!
- Não sei, mas eu sei o ritmo: naaan na naaaann, paaaammmm
(...)
- Essas coisas ecologicamente corretas são todas caras.
- Salve o planeta e arrasse seu bolso! Mas não... comprei uma blusa do mesmo material da sua e não era mais cara.
- Ecologicamente correta por conveniência.
(...)
- Seu chip queimou.
- Eu não sabia que chips eram coisas queimáveis assim não... quer dizer, pelo menos não tão fácil assim: puff, colocou queimou.
- Imagina saindo até a fumacinha.
- É! E você viu que a moça disse que não tem garantia?
-Pois é, mais uma boa desculpa: então... acontece que meu chip queimou: Chips que queimam nas horas apropriadas, dá até nome de comunidade!
(...)
- Eu gostei dessa parte aqui.
- "Hospitais são sempre cinzas"?
- Ráaaaaaaa, nãaaaaooo: "mas o afeto não era garantia de posse."
(...)
- Mas ele não sabe que a gente sabe que ele tem diabetes.
- Como assim? Que coisa, porque será que nunca contou?
-Minha professora fala que é a síndrome do Super-Herói.



*** Ví, como a gente vai sobreviver à reforma ortográfica?!... Eu ainda escrevo com crase e hífen!


- Tudo gira em torno do sorvete.
- Sim, desde o início... começou com o sorvete


Sorvetes preciosos.

Domingo, Julho 12, 2009

O pequeno menino grande



Foi assim. E eu nunca imaginei. Como dizem, você é o que ninguém vê.
Mas de repente, no meio de um tanto de gente estávamos ali conversando sobre todas as coisas que passaram e as que viriam;mais que isso falávamos de como chegamos até aqui.
E apesar de todos os pesares, de todos os desencontros ele me disse do encontro feliz dele: finalmente chegou. Pelo menos por hora - como dizia a Ângela Ro Ro "Amor, meu grande amor, só dure o tempo que mereça". Mas nesse momento merece e isso é algo a ser celebrado.
Meu querido, quantas vezes não demos com os burros n´água? Eu sei que para você é difícil acreditar: quantas vezes você olhou um quadro e achou que era aquele, mas não era nem de perto? Talvez nos desenhamos com tantos detalhes a pessoa especial que quando ela se apresenta, ainda estamos preocupados em desenhá-la. Sei que já rasgou seu desenho, sei que já amassou, sei que já deve até ter borrado com suas lágrimas, mas quiçá tudo isso era o necessário para que aquele desenho se tornasse algo vivo.
A vida foi um bocado injusta, eu sei. Tiraram de você as coisas rápido demais e na mesma velocidade você precisou colocar um mundo nas costas. Nobody said it was easy, mas também ninguém disse que seria tão difícil. Mas veja bem, agora as coisas se encaixam ou pelo menos você pode dizer: Estou feliz, estou contente, estou seguro. Meu querido, não tenha medo: a felicidade nos amedontra, especialmente quando temos a sensação que sempre passa um tufão para destruir a gente, mas pelo menos por hora Here comes the sun little, darling! Sua tempestade chegou ao fim e isso não siginifica que ela não voltará, mas se você pensar bem o arco-íris só existe porque chove quando faz sol.


Dan, quando você me conheceu -nunca vou esquecer disso- disse:" Carol, você é enorme diante dos seus textos, eu te imaginava pequenininha, mas a fragilzinha tá aí dentro". Dan, com muito orgulho eu posso dizer: Você é enorme diante da vida!

"É melhor ser alegre
Que ser triste
Alegria é a melhor
Coisa que existe
É assim como a luz
No coração..."

Terça-feira, Julho 07, 2009

Moscas

"(...) pensei que as pessoas se jogam convulsivamente contra o mundo igual Àquele animal estúpido: fazem barulho, confusão, dão voltas ao redor das coisas sem agarrar nada completamente; algumas vezes confundem um desejo com uma armadilha e caem mortas, apodrecendo sob o refletor azul dentro da jaula."
100 escovadas antes de ir para a cama