
E talvez realmente exista um elo diferente que una os amigos de muito tempo. Como se fossem parte da família, com uma diferença sutil por ter sido uma escolha.
Deve realmente existir algo como um fio invisível e eu andei pensando seriamente sobre o que seria esse fio.
Talvez sejam as lembranças atreladas... porque quando você começa a pensar no seu passado ali estão eles ou quando você pensa "Como cheguei até aqui?" lá estão eles novamente. Talvez porque precisamos o tempo inteiro relembrar de quem somos ou de quem éramos e tê-los é a forma mais fidedigna de obter essas respostas. Ou ainda, porque mesmo apesar de todas as mudanças da infância até a vida adulta, essa amizade sobreviva, por mais que antes você fosse gordinha do cabelo rebelde e até agressiva e agora você começa a ter uma postura séria, detesta as calorias e amançou o cabelo quase que na mesma proporção da agressividade. E você precisa saber que parte daquela criança você mantem e qual parte você deve manter.
Mas talvez também seja pelas lágrimas e risos divididas. Porque existe uma porção de coisas que ninguém nunca vai entender, com a exceção de você e essas pessoas. Porque vocês tinham um universo paralelo, porque passaram por tanta coisa e continuam juntos. Porque quando você desmoronava eram essas as pessoas que juntavam seus cacos, ou quando você explodia de felicidade eram elas que compartilhavam. E por mais que tenham tomado caminhos diferentes, cidades diferentes, profissões diferentes e até escolhas de vidas diferentes, algo mantém conectado. Há quem diga que não precisamos mudar de amigos se simplesmente compreendermos que os amigos mudam, taí uma verdade, mas naõ acredito que suficiente para explicar o que seria esse fio.
Dizem que ficamos vivos enquanto vivermos na memória de alguém, talvez a vontade de ser imortal, de nos demorarmos na memória de alguém que nos conheceu tão bem como nós mesmos.
Talvez por pura insistência, porque queremos nos agarrar a algo do passado, porque queremos um algodão cor de rosa com gosto de infância quando a vida parecer amarga e dura em demasia.
Talvez a cumplicidade dos tempos antigos, talvez coisas de uma vida passada, talvez a mão do destino, talvez insistência ou excesso de nostalgia... Mas eu prefiro acreditar que quem sabe não seria tudo isso e mais uma série de coisas que não sabemos explicar. Porque levante a mão quem nunca sentiu um aperto no peito ouvindo Canção da América? Ou que pensou que um afastamento invevitável era eminente quando os caminhos se tornaram completamente diferentes... mas então você percebe que praticamente nada poderia desfazer esse laço, então você descobre o que quer dizer "mesmo que o tempo e a distância digam não"; porque a despeito disso o sentimento pode até se transformar, mas não desaparece
"Te tenho com a certeza de que você pode ir
Te amo com a certeza de que irá voltar pra gente ser feliz
Você surgiu e juntos conseguimos ir mais longe
Você dividiu comigo a sua história e me ajudou a construir minha"
Te amo com a certeza de que irá voltar pra gente ser feliz
Você surgiu e juntos conseguimos ir mais longe
Você dividiu comigo a sua história e me ajudou a construir minha"
PS.: Esse não é um texto de respostas e para o leitor pode parecer inacabado, ou sem fim. Mas como eu poderia escrever um texto sobre as amizades de infância com um ponto final?
*Para Mari e Mamá.


